10 de mai de 2017

Meu Cabelo natural 4B/C e meus desabafos.( Parte 1)

Olá pessoal, tudo bem?
Nossa o tempo passa rápido né, foi em 2 de setembro de 2016 que fiz meu BC.
E agora já passado vários conflitos, quero relatar um pouco sobre o que passei e meus sentimentos. Mas vou fazer isso sem ordem cronológica correta. Vou relatar fatos, acontecimentos e sentimentos de modo aleatório.

Bom, fazer o BC depois de tantos anos usando permanente afro, foi realmente um ato muito grande de coragem. No inicio dá um medinho, mas as expectativas futuras eram tão grandes que me enchi de coragem e cortei, gente aqui no blog tem toda essa saga sobre isso. Mas após o BC descobri que meu cabelo não era totalmente 4C, ele é um cabelo misturado com 4B. Isso explica porque quando eu ficava 4 meses sem fazer o permanente afro, o meu cabelo crescia enrolado de tal forma que quase se igualava com o permanente.
Ficar com o cabelo todo natural e super curto(passei a máquina 3), foi quebrar barreiras na sociedade, pois as pessoas me olhavam estranho em todos os lugares(todos mesmo). As vezes me sentia um pássaro fora do ninho, no condomínio onde eu morava, eu só via as meninas de progressiva com os cabelos esvoaçantes. Só via as meninas dos Blacks poderosos na night e mesmo assim quando amanhecia o encanto acabava, o carro virava abóbora e no onibus indo para o trabalho somente meninas alisadas. Eu era sempre o centro das atençoes com meu cabelinho curtinho natural cortado na máquina.
Em certos lugares mais chiques as pessoas me olhavam com reprovação. Que mundo estranho esse no qual vivemos, não é mesmo? Ser julgado pelo cabelo. Ai percebemos que o mundo não avançou. A ignorancia continua a mesma, ou até pior, pois estamos no século 21. Ou será que me enganei?

Outra barreira foi a do meu próprio cabelo. Gente o que era acordar de manhã contente, molhar os cabelos, passar o creme, tirar o excesso com a toalha e o branco de creme não saia nunca.
Era aquele efeito caspa que me desesperava, todos os cremes que tinham em casa deixavam meu cabelo branco, todos mesmos! E se eu insistisse na toalha ou no papel toalha, o branco até saia, mas levava os cachinhos juntos também.
Tive que reaprender a passar creme, aprender a passar gel, aprender a molhar.
Até que os crespinhos começaram a crescer, as molinhas se definiram em espiral, e tudo poderia ser perfeito, e eu achava que tinha aprendido a passar creme, mas com o crescimento o creme se entranhava dentro da molinha e não saia de lá por nada nesse mundo.
Acordava de manhã secava meus cabelos, passava meu creme, sacudia bastante os fios e aparentemente após um exame bem minucioso com espelhinhos para olhar a parte de trás, eu saia para o trabalho, mas quando meu marido olhava, tinha creme entranhado dentro do cachinho em espiral, de modo que não saía com a toalha. O jeito era enfrentar a sociedade assim mesmo e sair de casa, no ponto de ônibus eu sempre procurava ficar no sol que era para secar logo os cabelos e aqueles pontos brancos evaporarem. Dava certo, eu já chegava no trabalho com o crespinho super de boa.

Após 4 meses de BC eu comecei a colher os bons frutos de um cabelo hidratado, sem ressecamento, livre de quebras. Um cabelo forte que era só meu e que passou a me presentear com day afters. Passei a molhar só quando hidratava ou nutria. Lógico que nem tudo são flores, mas poder cuidar do meu cabelo sem ter uma quimica foi realmente uma conquista, pois estava pela primeira vez na vida dando a chance dele se mostrar para mim. Era uma troca, uma retribuição a cada hidratação. Ele não exigia muito do meu bolso, aliás exigia muito menos que o permanente afro. De tal forma que só fazia uma reconstrução por mês, isso quando fazia, as vezes nem fazia.

Continua...

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